
(Source: n-irvana, via e-m-p-t-y-s-e-t)

(Source: n-irvana, via e-m-p-t-y-s-e-t)
Primeiro chorei, senti medo e pena. Deu vontade de deitar, dormir três meses.
(Source: naoexistevidasemvoce, via camilacosta)

Seu grito ecoa em meio ao caos do seu quarto. Eu abro as janelas para te mostrar que você não tem importância nenhuma para o céu, que brilha, que sorri, mas você insiste em trincar com seu grito os pássaros que embaraçam pétalas em seus cabelos. Seu choro é mais tocante que seu sorriso. Aliás, Lisa, você não tem sorrisos, nunca teve. Mas eu sou incapaz de te condenar, poetas não conhecem o amor, tampouco sua grandeza. Jamais pensei que iria vê-la presa nas cercas de arame farpado e no quarto com as unhas afiadas. Por amar. Por amor. Por asma nesse peito tão aberto. Hoje, você está funda, tanto quanto um demônio exilado do inferno. As pétalas em seu cabelo não têm complacência com seu rosto tão judiado pela insônia, e os pássaros as despejam como se estivessem levando rosas fúnebres a um enterro. E estão.
É a morte daquilo que você prendeu com a intenção de enfeitar, Lisa. Não se amarra sem amor, pois amar também faz parte de “amar-rar”. Eu fui o vilão na sua vida, assassinei os seus amores. Desprendi seu corpo do arame, te tirei dos galhos repletos de espinhos das roseiras, soltei os seus cabelos. Seu amor transcendeu a magia sem que eu pudesse notar, foi tão amada por tudo que te abraçava e eu insistentemente pensei estar salvando sua vida. Agora irá chorar até que transborde o quarto e torcerá para que nasça uma alga que te amarre. Amor de alga marinha é mais profundo porque ninguém vê.
O que me assombra, além da sua história que foi rabiscada por mim, são suas risadas psicóticas doentias como se você estivesse adentrando ao abismo da morte, passo a passo, toque a toque. Você se suicida três vezes por minuto com seu riso, Lisa, mas suas veias não notam. Sua respiração não percebe que você está cega e sendo entupida de pétalas pelas entranhas que você mesma abriu em seu corpo. Seu quarto virou palco de uma doença frenética que vai asfixiando sua vida a cada dose de ar misturada com saliva que você cospe à fora. Que beleza ser maquinista do trem da própria morte. E muitos querem que eu esteja encontrado quando piso em tanta agonia como é estar do lado de fora do seu corpo enquanto você grita e berra pedindo para sofrer de amor, implorando pela dor de não estar em paz, pelo silêncio de vozes que só existem dentro dos cortes que você provocou em seu corpo quando se entregou por inteira a um amor cru e infiel que nem ao menos sabia da sua fraqueza para vivê-lo.
Você, como eu, como os poetas, é incapaz de viver um amor sem ser dominada por ele, sem perder a consciência da realidade. Você, como eu, como os poetas, transcende. E é isso que se deve temer, pois você ri –por loucura– enquanto seu corpo é devastado em uma guerra que nenhum outro olho, além do seu, consegue enxergar. Você sorri enquanto procura seu suicídio escondido em algum dos bolsos de pele, não há mais roupa que toque seu corpo.
Você vai morrer pela glória de ter tocado o verdadeiro amor, Monalisa.
— Adriano C.
Fico tentada a escrever, mas quero trair a tentação. Ultimamente as palavras vem ardendo, descendo dolorosamente pela garganta, arrancando pele de mim. Começam mansas e viram terremotos, furacões, fenômenos inteiros e fortes. Não posso escrever para não doer, mas, se dói, preciso escrever. São as…


Minhas dores eram crônicas, eu já previa onde e quando iam doer.
(Source: a-rosa-do-chico, via camilacosta)

Achava que não conseguiria viver sem ele. Meu marido tinha a mania de falar para o Cazuza: “Você não vai morrer, por que eu não vou deixar”. Às vezes, ele ligava para o pai e pedia “vem aqui falar aquele negócio”. Meu marido largava o trabalho só para falar isso: “Não vou deixar você morrer”.
Lucinha Araújo (mãe de Cazuza)
(Source: umamorsemgelo, via mundoproibido)